sábado, 15 de setembro de 2012

AOS TRABALHADORES E USUÁRIOS DO TRANSPORTE PÚBLICO EM CAIEIRAS!!!!! POR UM MANDATO DO POVO TRABALHADOR!!!!





Olá companheiros da Viação Caieiras. Fui funcionário da empresa durante cinco anos meu nome de escala era W DEUS. Como vocês, senti na pele a politica ditatorial imposta pela sua chefia que não respeita os trabalhadores, impondo-lhes constrangimentos inadmissíveis.
Por exemplo, depois de um assalto (e do consequente abalo emocional), os cobradores têm que continuar sua jornada até o fim da escala e só depois podem seguir para registrar o boletim de ocorrência e tomar outras providências. Já os motoristas estão sendo responsabilizados por qualquer tipo de acidente dentro dos coletivos, chegando até assinar vale em branco para custear as despesas médicas dos usuários acidentados, quando na verdade a responsabilidade é da empresa esta a serviço dela. Outro problema é o salário dos trabalhadores da empresa, que é o mais baixo do grupo Urububunga (que inclui ainda a Santa Brigida), apesar de fazerem o mesmo trabalho.
Por sua vez, os usuários sofrem com serviço ruim oferecido pela empresa. A tarifa em Caieiras é uma das mais caras do Estado de São Paulo por Km rodado, sem contar que não temos um serviço de integração que beneficie o usuário. Além disso existem linhas que sobrem com a falta de planejamento para o aumento do efetivo em circulação, o bairro do Morro Grande é um dos que mais sofrem com o mau atendimento.

Diante dessa situação, venho através da minha candidatura, propor;
- Farei do meu mandato de Vereador um ponto de apoio aos trabalhadores do transporte publico em Caieiras, para lutarmos juntos pela criação do Comitê de garagem, órgão formado por motoristas e cobradores que irá dialogar com a chefia da empresa, o sindicato da categoria e o poder publico local;

- Lutarei por melhores condições de trabalho e por remuneração digna para aos trabalhadores do transporte público municipal;

- Lutarei pela implantação do passe livre para os estudantes;

- Lutarei pela implantação do Comitê de Usuários do Transporte Público  (órgão formado somente por usuários do transporte publico municipal);

- Lutarei por um aumento significativo dos coletivos que atende o bairro do Morro Grande, para que o tempo de espera nos pontos diminua consideravelmente;

- Lutarei para que ao domingos e feriados, haja um aumento dos coletivos em circulação em todas as linhas da cidade, para que diminua o tempo de espera nos pontos;

- Lutarei pela implantação do Bilhete Único Metropolitano;

- Lutarei pela criação da linha de ônibus noturna. 


POR ISSO NO DIA 07 DE OUTUBRO PEÇO SEU VOTO, PARA JUNTOS LUTARMOS POR UMA CAIEIRAS MAIS JUSTA COM QUALIDADE DE VIDA E MAIS DIREITOS AOS CIDADÃOS, MUITO OBRIGADO!!!!  


















segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O que é o marxismo


segunda-feira, Setembro 3, 2012 o (parte II)

Alan Woods e Rob Sewell
Publicamos abaixo a segunda parte do texto O que é o marxismo que trata de explicar o pensamento humano, a filosofia, o idealismo e a dialética.
Que é a filosofia?
Em cada etapa da história humana, os homens e mulheres desenvolveram alguma forma de interpretar o mundo e refletiram acerca do lugar que ocupam nele, desenvolvendo assim uma filosofia. Os elementos utilizados para se elaborar esta interpretação foram obtidos mediante a observação da natureza e através da generalização das experiências do dia a dia.
Há pessoas que creem não necessitar de nenhuma filosofia ou concepção do mundo. Contudo, na prática todos têm uma filosofia, inclusive se não está desenvolvida de forma consciente. As pessoas que se guiam pelo mero “senso comum” e que pensam que se saem bem sem a teoria, na prática não fazem mais que pensar à maneira tradicional. Marx dizia que as ideias dominantes na sociedade são as ideias da classe dominante. Para manter e justificar seu domínio, a classe capitalista faz uso de todos os meios disponíveis para distorcer a consciência do trabalhador. A escola, a Igreja, a televisão e a imprensa são utilizadas para fomentar a ideologia da classe dominante e para doutrinar os trabalhadores a aceitarem o seu sistema como a forma mais natural e permanente da sociedade. Na ausência de uma filosofia socialista consciente, aceitam inconscientemente a filosofia capitalista.
Em cada etapa da sociedade de classe, a classe revolucionária ascendente, que tem por objetivo mudar a sociedade, terá de lutar por uma nova concepção do mundo e terá que atacar a filosofia antiga, que, se baseando na velha ordem, justificava-a e defendia-a.
Idealismo e materialismo
Ao longo da história da filosofia encontramos dois campos opostos, o idealista e o materialista. A ideia comum de “idealismo” (isto é, a honradez, a retidão na busca dos ideais) e de “materialismo” (ou seja, o egoísmo cobiçoso e avarento) não tem nada a ver com o idealismo e o materialismo em termos filosóficos.
Muitos grandes pensadores do passado foram idealistas, especialmente Platão e Hegel. Esta escola de pensamento considera a natureza e a história como um reflexo das ideias ou do espírito. A teoria segundo a qual os homens e mulheres e tudo o que é material foram criados por um espírito divino, é um conceito básico do idealismo. Esta perspectiva se expressa de diferentes formas; contudo, sua base é que as ideias governam o desenvolvimento do mundo material. A história se explicaria como uma história do pensamento. As ações das pessoas são vistas como o resultado de pensamentos abstratos e não de suas necessidades materiais. Hegel deu um passo além, sendo um idealista coerente, e converteu o pensamento em uma “Ideia” autônoma que existe fora do cérebro e independe do mundo material, convertendo este último em mero reflexo desta ideia. A religião faz parte do idealismo filosófico.
Os pensadores materialistas, por outro lado, sustentaram que o mundo material é real e que a natureza ou matéria é o primário. A mente ou as ideias são um produto do cérebro. O cérebro e, portanto, as ideias surgiram em uma etapa determinada do desenvolvimento da matéria viva. Os princípios fundamentais do materialismo são os seguintes:
·         O mundo material, conhecido por nós através de nossos sentidos e explorado pela ciência, é real. O desenvolvimento do mundo se deve às suas próprias leis naturais, sem nenhuma interferência sobrenatural.
·         Só há um mundo, o mundo material. O pensamento é um produto da matéria (o cérebro), sem o qual não pode haver ideias com existência própria. Portanto, a mente ou as ideias não podem existir isoladamente, fora da matéria. As ideias gerais são somente reflexos do mundo material. “Para mim – escreveu Marx – a ideia não é outra coisa que o mundo material refletido na mente humana e traduzido na forma de pensamento”. Deriva daí que “o ser social determina a consciência”.
Os idealistas concebem a consciência, o pensamento, como algo externo e oposto à matéria, à natureza. Esta oposição é algo totalmente falso e artificial. Há uma correlação estreita entre as leis do pensamento e as leis da natureza, porque as primeiras acompanham e refletem as segundas. O pensamento não pode derivar suas categorias de si mesmo, mas apenas do mundo exterior. Mesmo os pensamentos aparentemente mais abstratos na realidade procedem da observação do mundo material.
Mesmo uma ideia aparentemente abstrata como a matemática, em última instância, deriva da realidade material e não é uma invenção do cérebro. Na escola, a criança conta em segredo seus dedos materiais antes de resolver um problema aritmético abstrato. Ao fazê-lo, está recriando as origens da própria matemática. Baseamo-nos no sistema decimal porque temos dez dedos. Os números romanos se baseavam originalmente na representação dos dedos.
Nas palavras de Lênin: “A matéria agindo sobre nossos órgãos sensitivos produz sensações. As sensações dependem do cérebro, dos nervos, da retina (...), ou seja, são o produto supremo da matéria”.
A pessoa é parte da natureza e desenvolve suas ideias em interação com o restante do mundo. Os processos mentais são de fato reais, mas não constituem algo absoluto, à margem da natureza. Devem ser estudados dentro das circunstâncias materiais e sociais em que surgem. “Os fantasmas formados no cérebro humano – afirmava Marx – são necessariamente sublimações de seu processo material de vida”. Mais adiante, concluía: “Moral, Religião, Metafísica, todo o resto da ideologia e suas correspondentes formas de consciência, não se sustentam em sua aparência de independência. Não têm história, nem desenvolvimento; mas os homens, desenvolvendo sua produção material e suas relações materiais, alteram paralelamente sua existência real, sua forma de pensar e o produto desta. A vida não é determinada pela consciência e sim a consciência pela vida”.
As origens do materialismo
“A pátria primitiva de todo o materialismo moderno – escrevia Engels – desde o século XVII em diante é a Inglaterra”.
Nessa época, a velha aristocracia feudal e a monarquia começaram a ser combatidas pelas classes médias recém-aparecidas. O bastião do feudalismo era a Igreja Católica de Roma, que proporcionava uma justificação divina para a monarquia e as instituições feudais. Estas, portanto, tinham que ser liquidadas antes que o feudalismo pudesse ser abatido. A burguesia em ascensão enfrentou as velhas ideias e os conceitos divinos sobre os quais a velha ordem se baseava.
“Acompanhando a ascensão das classes médias, veio o grande renascimento da ciência: a astronomia, a mecânica, a física, a anatomia, a fisiologia, todas foram cultivadas novamente. E a burguesia, para o desenvolvimento de sua produção industrial, requeria uma ciência que investigasse as propriedades físicas dos objetos naturais e as formas de ação das forças da natureza. Até então a ciência não havia sido outra coisa além de servidora da Igreja, não se havia permitido ir mais além dos limites que a fé determinava e, precisamente por isto, não tinha havido ciência de forma alguma. A ciência se rebelou contra a Igreja; a burguesia não podia fazer nada sem a ciência e, portanto, tinha que se unir a ela na rebelião” (Engels, prólogo à edição inglesa de 1892 ao Do socialismo utópico ao socialismo científico).
Foi por esta época que Francis Bacon (1561-1626) desenvolveu suas ideias revolucionárias sobre o materialismo. Segundo ele, os sentidos eram infalíveis e, também, a fonte de todo o conhecimento. Toda ciência se baseava na experiência e consistia em submeter o fato concreto a um método racional de investigação: indução, análise, comparação, observação e experimentação.
No entanto, ficou para Thomas Hobbes (1588-1679) continuar e desenvolver o materialismo de Bacon como um sistema. Hobbes se deu conta de que as ideias e os conceitos eram somente o reflexo do mundo material e que “é impossível separar o pensamento da matéria sobre a qual se pensa”. Mais tarde, o pensador inglês John Locke (1632-1704) aportou provas deste materialismo.
Esta escola de filosofia materialista passou da Inglaterra à França, para ser recolhida e posteriormente desenvolvida por René Descartes (1596-1650) e seus seguidores. Estes materialistas franceses não se limitaram a criticar a religião, como também ampliaram sua crítica a todas as instituições e ideias. Enfrentaram estas coisas em nome da Razão e armaram a nascente burguesia em sua batalha contra a monarquia. O nascimento da Grande Revolução burguesa da França de 1789-93 fez da filosofia materialista o seu credo. Diferindo da Revolução Inglesa de meados do século XVII, a Revolução Francesa destruiu completamente a velha ordem feudal. Engels deu relevo a isto mais tarde: “Sabemos hoje que esse reinado da razão era apenas o reinado idealizado pela burguesia; a justiça eterna se corporificou na justiça burguesa; a igualdade se reduziu à igualdade burguesa perante a lei; os direitos essenciais do homem, proclamados pelos racionalistas, tinham como representante a sociedade burguesa; e o Estado da razão, o contrato social de Rousseau, ajustou-se, como de fato só podia se ter ajustado à realidade, convertido numa República democrático-burguesa. Os grandes pensadores do século XVIII, sujeitos às mesmas leis de seus predecessores, não podiam romper os limites que sua própria época traçava” (Engels, Anti-Dühring).
O defeito, apesar de tudo, deste materialismo desde Bacon em diante, era sua rígida e mecânica interpretação da Natureza. Não é acidental que a escola materialista inglesa florescesse no século XVII, quando os descobrimentos de Isaac Newton fizeram da Mecânica a ciência mais avançada e importante de seu tempo. Nas palavras de Engels, “a limitação específica deste materialismo consistia em sua incapacidade de conceber o mundo como um processo, como uma matéria sujeita a desenvolvimento histórico ininterrupto” (Engels, Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã).
A Revolução Francesa teve um profundo impacto no mundo civilizado, da mesma forma que logo o teria a Revolução Russa de 1917. Efetivamente, ela revolucionou o pensamento em todos os campos: político, filosófico, científico e artístico. A fermentação de ideias que emergiu desta revolução democrático-burguesa assegurou avanços nas ciências naturais, na geologia, botânica, química, bem como na economia política.
Foi nesse período que se fez a crítica do ponto de vista mecânico destes materialistas. Um filósofo alemão, Immanuel Kant (1724-1804), foi o primeiro que rompeu com a velha mecânica, com o seu descobrimento de que a Terra e o Sistema Solar haviam chegado a ser e que não haviam existido eternamente. O mesmo acontecia com a geografia, a geologia, as plantas e os animais.
Estas revolucionárias ideias de Kant foram desenvolvidas ainda mais por outro brilhante pensador alemão, Georg Hegel (1770-1831). Hegel era um filósofo idealista que pensava que o mundo poderia ser explicado como uma manifestação ou reflexo de uma “mente universal” ou “Ideia”, isto é, algum tipo de Deus.
Hegel observava o mundo, não como um membro ativo da sociedade e da história humana, e sim como filósofo, observando os fatos de fora. Situou-se numa posição acima do mundo, interpretando a história do pensamento e do mundo como o mundo das ideias, como um mundo ideal. Assim, para Hegel, os problemas e as contradições não se colocavam em termos reais e sim em termos de pensamento e, dessa forma, poderiam ser resolvidos através da evolução do próprio pensamento. Em vez das contradições na sociedade serem resolvidas pela ação dos homens, pela luta de classes, a solução para Hegel se encontrava na cabeça do filósofo, na Ideia Absoluta.
No entanto, Hegel reconheceu os erros e a miopia do velho ponto de vista mecanicista. Também reconheceu a falta de adequação da lógica formal e lançou os alicerces para uma concepção do mundo que poderia explicar as contradições através da mudança e do movimento.
Apesar de Hegel ter redescoberto e analisado as leis da mudança e do movimento, o seu idealismo punha as coisas de cabeça para baixo. Contra isto, os jovens hegelianos, dirigidos por Ludwig Feuerbach (1804-1872), moveram uma luta e uma crítica, que tentava corrigir esta posição e colocar a filosofia com os pés no chão. Mas mesmo Feuerbach – “cuja metade inferior era materialista e a metade superior idealista” (Engels) – não foi capaz de limpar totalmente o hegelianismo de sua concepção idealista. Esta tarefa ficou para Marx e Engels, os quais foram capazes de limpar o método dialético do caráter místico que até então ostentava.
A dialética hegeliana se fundiu com o materialismo moderno para produzir a concepção revolucionária que é o materialismo dialético.
O que é a dialética?
Vimos que o materialismo moderno parte da consideração de que a matéria é o primário e que a mente ou as ideias são produtos do cérebro.
Mas, o que é pensamento dialético, ou a dialética?
“A dialética não é mais que a ciência das leis gerais do movimento e da evolução da natureza, da sociedade humana e do pensamento” (Engels, Anti-Dühring).
O método dialético tinha já uma duradoura existência antes que Marx e Engels o desenvolvessem cientificamente como um meio de compreender o desenvolvimento da sociedade humana.
Os gregos antigos produziram alguns grandes pensadores dialéticos, entre os quais estão Platão, Zenão de Elea e Aristóteles. Já no ano 500 antes de nossa era, Heráclito adiantava a ideia de que “todas as coisas são e não são, porque tudo flui, está mudando constantemente, e constantemente nascendo e morrendo. É impossível mergulhar duas vezes no mesmo rio”.
Esta frase já contém a concepção fundamental da dialética, de que tudo na natureza encontra-se em constante estado de mudança e que esta mudança se produz através de uma série de contradições.
“A grande ideia cardinal de que o mundo não pode ser concebido como um conjunto de objetos prontos e acabados, mas como um conjunto de processos, em que as coisas que parecem estáveis, da mesma forma que seus reflexos em nossas cabeças, os conceitos, passam por uma série ininterrupta de mudanças, por um processo de gênese e caducidade; esta grande ideia cardinal se acha já tão arraigada desde Hegel na consciência habitual, que, exposta assim, em termos gerais, encontra oposição mínima. Mas uma coisa é reconhecê-la de palavra e outra coisa é aplica-la à realidade concreta, em todos os campos submetidos à investigação.
Para a filosofia dialética não existe nada definitivo, absoluto, consagrado; em tudo, ela põe de relevo o que tem de perecível, e não deixa em pé mais que o processo ininterrupto do devir e perecer, uma ascensão sem fim do inferior ao superior, cujo mero reflexo no cérebro pensante é esta mesma filosofia”. (Engels, Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã).
A dialética e a metafísica
Os filósofos gregos anteciparam brilhantemente o posterior desenvolvimento da dialética, bem como o de outras ciências. Mas não podiam eles mesmos levar esta antecipação à sua conclusão lógica, devido ao baixo desenvolvimento dos meios de produção e à falta de uma informação adequada acerca dos fenômenos do Universo.
Suas ideias forneceram uma visão correta do conjunto, mas frequentemente não eram mais que geniais intuições e não teorias elaboradas cientificamente. Para levar mais longe o pensamento humano, era necessário abandonar este caminho e tentar chegar a uma compreensão geral do Universo, e se concentrar nas pequenas, mas rotineiras, tarefas de coletar, elaborar e nivelar um conjunto de fatos individuais, de verificar as teorias particulares, mediante a experimentação e a definição.
Esta aproximação factual, experimental, empírica, permitiu um enorme avanço do pensamento humano e da ciência. As investigações sobre os fenômenos da natureza agora podiam ser realizadas cientificamente, analisando-se cada problema particular e verificando-se cada resultado. Mas nesta evolução, neste novo estágio de desenvolvimento, a velha habilidade de tratar as coisas em sua conexão, e não isoladamente, em seu movimento, e não estaticamente, em sua vida, e não em sua morte, se perdeu.
A este estreito e empírico modo de pensar, surgido em consequência, deu-se o nome de aproximação “metafísica” e é o que ainda domina na moderna filosofia e na ciência capitalistas. Na política, isto se reflete no famoso pragmatismo de Harold Wilson: “se funciona, deve estar correto” e no constante apelo aos fatos, mas sempre os tomando de forma isolada.
Mas os fatos não se selecionam a si mesmos. Devem ser eleitos pelos homens. A ordem e a sequência em que são ordenados, bem como as conclusões que deles se obtêm, dependem das noções pré-concebidas do indivíduo. Dessa forma, estes apelos aos fatos, que se supõe estar de acordo com a imparcialidade científica, costumam ser somente uma cortina de fumaça para encobrir os preconceitos dos que os utilizam.
A dialética não se ocupa apenas dos fatos, mas dos fatos em sua conexão, isto é, de processos; não apenas de ideias isoladas, mas de leis; não apenas do particular, mas do geral.
O pensamento dialético guarda uma relação com a Metafísica como a relação que é guardada por um fotograma de um filme com o filme em sua totalidade. Um não contradiz o outro, porém o complementa. Contudo, a mais precisa e completa aproximação à realidade está no filme.
Na vida cotidiana e nos cálculos mais simples, o pensamento metafísico ou o senso comum é suficiente. Mas tem suas limitações e, além destas, converte a verdade em mentira. A principal limitação deste tipo de pensamento é a sua incapacidade para compreender o movimento e o desenvolvimento, aliada ao seu repúdio de toda contradição. Seja como for, o movimento e a mudança implicam contradições.
“Para o metafísico as coisas e suas imagens no pensamento, os conceitos, são objetos isolados de estudo, que são considerados um depois do outro e sem o outro, firmes, fixos e rígidos, dados de uma vez para sempre. Seu pensamento está formado de antíteses sem termo médio; diz: sim, sim, e não, não; e tudo o que passar disto, procede de mau espírito. Para ele, toda coisa ou existe ou não existe: uma coisa não pode ser ao mesmo tempo ela mesma e algo diferente. O positivo e o negativo se excluem um ao outro de forma absoluta; a causa e o efeito se encontram da mesma forma em rígida contraposição. Este modo de pensar parece-nos à primeira vista muito plausível porque é o do chamado saudável senso comum. Mas o saudável senso comum, por mais estimado companheiro que seja no domínio doméstico de suas quatro paredes, experimenta assombrosas aventuras quando se arrisca pelo amplo mundo da investigação” (Engels, Anti-Dühring).
Para as questões do cotidiano, por exemplo, é possível se dizer com certo grau de convicção se um indivíduo, uma planta ou um animal está vivo ou morto. Mas é muito mais complicado de se dizer exatamente onde está o limite a partir do qual se pode falar de vida independente do feto no ventre materno, e igualmente é impossível de se fixar o momento da morte, porque a fisiologia demonstrou que a morte não é um episódio instantâneo, mas um processo bastante longo.
Heráclito já advertia: “A mesma coisa em nós vive e morre, dorme e está desperta, é jovem e velha; cada uma delas muda de lugar e se torna outra. Nós entramos e não entramos no mesmo rio: estamos e não estamos”.
Trotsky, em seu ABC da dialética materialista, caracterizava a dialética como a ciência das formas de nosso pensamento, na medida em que não se reduz aos problemas diários, mas que tenta chegar a uma compreensão dos processos mais complicados e complexos.
Ele comparava a dialética e a lógica formal (a metafísica) como se comparam a matemática superior e a básica. Aristóteles foi quem primeiro desenvolveu as leis da lógica formal, e seu sistema lógico foi, a partir de então, sempre aceito pelos metafísicos como o único método possível de pensamento científico:
“A lógica aristotélica do silogismo simples parte da premissa de que A é igual a A. Este postulado é aceito como um axioma para determinado número de ações humanas práticas e de generalizações elementares. Mas, na realidade, A não é igual a A. Isto é fácil de demonstrar se observarmos estas duas letras sob uma lente: são completamente diferentes. Mas, poder-se-á objetar, não se trata do tamanho ou da forma das letras, dado que elas são somente símbolos de quantidades iguais, por exemplo, de um quilo de açúcar. A objeção não é válida; na realidade, um quilo de açúcar nunca é igual a um quilo de açúcar: uma balança delicada descobriria sempre a diferença. Mais uma vez se poderia objetar: contudo um quilo de açúcar é igual a si mesmo. Tampouco isto é verdade: todos os corpos mudam constantemente de peso, de cor etc. Nunca são iguais a si mesmos. Um sofista contestará que um quilo de açúcar é igual a si mesmo ‘em dado momento’. Além do valor prático extremamente duvidoso deste axioma, tampouco resiste a uma crítica teórica. Como concebemos realmente a palavra ‘momento’? Se se trata de um intervalo infinitesimal de tempo, então um quilo de açúcar está submetido, durante o transcurso deste ‘momento’, a mudanças inevitáveis. Ou este ‘momento’ é uma abstração puramente matemática, ou seja, zero tempo? Mas tudo existe no tempo e a própria existência é um processo ininterrupto de transformação; o tempo é, em consequência, um elemento fundamental da existência. Desta forma, o axioma A é igual a A significa que uma coisa é igual a si mesma se não muda, ou seja, se não existe.
“À primeira vista, poderia parecer que estas sutilezas são inúteis: na realidade, têm importância decisiva. O axioma A é igual a A é, ao mesmo tempo, o ponto de partida de todos os nossos conhecimentos e o ponto de partida de todos os erros de nossos conhecimentos. Somente dentro de certos limites ele pode ser utilizado com uniformidade. Se as mudanças qualitativas que se produzem em A carecem de importância para a questão que temos entre as mãos, então poderemos presumir que A é igual a A. Esta é, por exemplo, a forma como o vendedor e o comprador consideram um quilo de açúcar. Da mesma forma consideramos a temperatura do sol. Até há pouco considerávamos da mesma forma o valor aquisitivo do dólar. Mas quando as mudanças quantitativas superam certos limites se convertem em mudanças qualitativas. Um quilo de açúcar submetido à ação da água ou do querosene deixa de ser um quilo de açúcar. Um dólar nas mãos de um presidente deixa de ser um dólar. Determinar o momento preciso, o ponto crítico, em que a quantidade se transforma em qualidade, é uma das tarefas mais difíceis e importantes em todas as esferas do conhecimento, inclusive da sociologia” (Trotsky, Em defesa do marxismo).

terça-feira, 31 de julho de 2012

"POR UM MANDATO DO POVO TRABALHADOR"



Meu nome é WILSON DE DEUS e eu tenho 33 anos. Profissional da área de segurança, sou casado com Lucilene P. dos Santos a Lú. Filho de migrantes nordestinos, nasci no bairro da Casa Verde, em São Paulo, e no inicio da década de 90 vim com a família para a Vila Rosina, em Caieiras. Tive uma infância marcada por dificuldade, que se acentuaram com a morte precoce dos meus pais, o que me obrigou a assumir, aos 15 anos, a responsabilidade pela família. Mais minha história é de superação.

Meu interesse por política surgiu na escola, quando tive o primeiro contato com as ideias do SOCIALISMO. Com o objetivo de participar de forma mais ativa da vida da cidade, ingressei no PCdoB de Caieiras e, em 2008, já na direção, conduzi o partido a uma coligação co o PT, em apoio à candidatura de Miranda a prefeito. Também engajei-me nos movimentos sociais, tendo participado das CONFERÊNCIAS DO CONSELHO MUNICIPAL DA ASSISTÊNCIA SOCIAL E CONFERÊNCIA MUNICIPAL DA CRIANÇA E ADOLESCENTE sendo eleito delegado e representando a cidade de Caieiras na CONFERÊNCIA ESTADUAL DA ASSISTÊNCIA SOCIAL.

Em 2011, filiei-me ao PARTIDO DOS TRABALHADORES, e agora sou candidato a vereador para lutar pelas mudanças políticas e sociais que o povo trabalhador tanto espera em Caieiras.

Segue algumas propostas de lutas para melhorar a vida do povo trabalhador de Caieiras;

- SAÚDE: MÉDICO DA FAMÍLIA E MODERNIZAÇÃO DAS UBS.
- TRANSPORTE: PASSE LIVRE PARA ESTUDANTES E CRIAÇÃO DO COMITÊ DE USUÁRIOS DO TRANSPORTE PÚBLICO.
- MEIO AMBIENTE: ADEQUAÇÃO À LEI DOS RESÍDUOS SÓLIDOS E IMPLANTAÇÃO DA COLETA SELETIVA.
- EDUCAÇÃO: ESCOLA DE PERÍODO INTEGRAL MAIS COM PRÁTICAS ESPORTIVAS E CULTURAIS, APLICAR A LEI DO PISO PARA PROFESSORES, ADERIR AOS PROGRAMAS DO GOVERNO FEDERAL COMO "BRASIL CARINHOSO".
- ESPORTE E LAZER: ESTRUTURAÇÃO DOS GINÁSIOS POLIESPORTIVO COM PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FISICA, REESTRUTURAÇÃO DO CRISTO PARA SERVIR DE PONTO TURÍSTICO.

Essas são algumas propostas da minha candidatura, por isso peço seu voto no dia 7 de outubro.
A mudança só depende de você!!!!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Vereadores sem cultura politica "vendem" seus mandatos para o executivo por meio de distribuição de cargos




Os 68.544 vereadores que serão eleitos no dia 7 de outubro por cerca de 140 milhões de eleitores em 5.568 municípios terão a tarefa de fiscalizar as prefeituras municipais, além de criar e modificar leis restritas às cidades. Cabe a eles verificar, por exemplo, como o dinheiro público é aplicado e criar ou alterar o plano diretor de ocupação urbana de sua cidade.


Podem se candidatar a vereador os maiores de 18 anos que tenham título de eleitor há mais de um ano no município onde pretendem disputar o cargo e sejam filiados a um partido político há mais de um ano das eleições.

Apesar de estar definido em lei quem pode se candidatar qual é a missão dos eleitos, especialistas afirmam que a função do vereador está desvirtuada por pelo menos dois motivos. O primeiro está no fato de muitas prefeituras cooptarem os vereadores por meio da distribuição de cargos na administração local e do uso do dinheiro público. O segundo fator, relacionado e influenciado pelo primeiro, é a falta de cultura política do eleitorado, que não acompanha o trabalho dos vereadores depois de empossados.

“A função das câmaras de Vereadores foi esvaziada. Os vereadores não cumprem seu papel, não fiscalizam. Quem legisla, de fato, é o Poder Executivo. As prefeituras não têm importância nenhuma para o eleitor”, critica Cláudio Abramo, do site Transparência Brasil. “Os prefeitos 'compram' suas bases por meio da distribuição de cargos”, lamenta.
O cientista político Fábio Wanderley dos Reis, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais tende a concordar com Abramo. “Não tem nada que aconteça de relevante [nas câmaras de Vereadores]. O poder foi posto de lado e depois jogado fora”, disse Wanderley, ao comentar que vereadores “se ocupam mais em mudar nome de rua” ou escolher pessoas para prestar homenagem em sessões especiais.

O advogado Walter Costa Porto, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e historiador especializado em eleições no Brasil, porém, tem visão mais positiva dos vereadores e diz que eles participam da administração municipal. Costa Porto reconhece, porém, que o sistema de votação proporcional dentro de coligações partidárias cria uma disfunção grave. “O eleitor não sabe para onde vai seu voto. Ninguém conhece as listas partidárias. Vota em um candidato a vereador e elege outro.”

A representação local – câmaras dos Vereadores – é o sistema de eleitoral mais antigo do Brasil. Segundo Walter Costa Porto, a primeira eleição para os “conselhos da câmara” ocorreu em 1.535 vilas no interior do que hoje é o estado de São Paulo.

Para ele, apesar da antiguidade, o sistema eleitoral, associado ao desinteresse e desconhecimento dos eleitores, “faz da democracia no Brasil um simulacro [imitação]”. O problema se agrava com a impunidade concedida pelos próprios eleitores. “Falta educação cívica. Ninguém é punido pelo voto”, diz o advogado, ao salientar que é comum os eleitores esquecerem para quem foi seu voto para vereador, assim como para deputado estadual e deputado federal.
“O grau de politização é muito baixo. Muitos eleitores votam por obrigação” e “há uma crise de confiança no Legislativo”, afirma Carlos Eduardo Meirelles Matheus, líder do Comitê de Opinião Pública da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (Abep) e ex-diretor do Instituto Gallup de Opinião Pública.

Apesar de crítico, Matheus ressalta que os vereadores exercem o mandato como “intermediários” entre os eleitores e a prefeitura. “Nas cidades maiores, eles trabalham pelos bairros e encaminham solicitações”. Ele diz que a proximidade dá “um pouco mais de transparência” aos mandatos dos vereadores.

De acordo com o site Transparência Brasil, o custo de funcionamento do Poder Legislativo no Brasil (câmaras de Vereadores, assembleias legislativas, Câmara dos Deputados e Senado Federal) é, em média, R$ 115,27 por ano para cada um dos brasileiros que moram nas capitais. O valor varia de cidade em cidade.

“A Câmara de Vereadores mais cara por habitante é a de Palmas, capital do Tocantins, que custa anualmente R$ 83,10 para cada morador da cidade. A mais barata é a da capital paraense, Belém, com R$ 21,09 por ano”, descreve o site, que também monitora as propostas e votações nas duas maiores câmaras de Vereadores do país: São Paulo e Rio de Janeiro.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Voto Consciente e sua Importância

 


Votar é um Ato de cidadania!
É muito comum ouvirmos que todos os políticos são iguais e que o voto é apenas uma obrigação. Muitas pessoas não conhecem o poder do voto e o significado que a política tem em suas vidas.

Quando se vai a uma urna eletrônica escolher  os candidatos que serão os representantes nos próximos quatro anos, a responsabilidade aumenta e então é hora de se empenhar para que a escolha seja boa não apenas para você, mas para uma coletividade.

A importância do voto

Numa democracia, como ocorre no Brasil, as eleições são de fundamental importância, além de representar um ato de cidadania. Possibilitam a escolha de representantes e governantes que fazem e executam leis que interferem diretamente em nossas vidas. Escolher um péssimo governante pode representar uma queda na qualidade de vida. Sem contar que são os políticos os gerenciadores dos impostos que nós pagamos. Desta forma, precisamos dar mais valor a política e acompanharmos com atenção e critério tudo que ocorre em nossa cidade, estado e país.

Dicas para votar conscientemente

Muitas pessoas não querem pesquisar sobre os candidatos que vão votar, por isso, vão na primeira sugestão que aparece como aquele que mora no bairro, ou que está na placa que está na rua, ou no mais famoso, sem se importar com o histórico de vida dele. Têm ainda os eleitores que se apegam ao fato do candidato arranjar um bom emprego para ele, mas isto não é certo e não agira pensando na coletividade.

A primeira dica para um voto consciente é sempre estar por dentro do passado, dos valores e do caráter do candidato. Temos que aceitar a idéia de que os políticos não são todos iguais. Existem políticos corruptos e incompetentes, porém muitos são dedicados. Mas como identificar um bom político?
Caso o nome dele conste em escândalos de corrupção, cassação, renúncia e outras mazelas políticas, é melhor nem arriscar para dar seu voto.

Mas têm os que possuem uma Ficha Limpa, porém, mesmo assim não é uma boa opção porque não possuem projetos e idéias. Dar o voto para eles também não é uma demonstração de votar conscientemente!

O voto deve ser valorizado e ocorrer de forma consciente. Devemos votar em políticos com um passado limpo e com propostas voltadas para a melhoria de vida da coletividade.

O Brasil precisa de eleitores maduros, que queiram colaborar com o progresso do país e para isso é preciso pesquisar, conhecer e exercer o papel de eleitor.

Durante a campanha eleitoral

Nesta época é difícil tomar uma decisão, pois os programas eleitorais nas emissoras de rádio e tv parecem ser todos iguais. Procure entender os projetos e idéias do candidato que você pretende votar. Será que há recursos disponíveis para que ele execute aquele projeto, caso chegue ao poder? Nos mandatos anteriores ele cumpriu o que prometeu? O partido político que ele pertence merece seu voto? Estes questionamentos ajudam muito na hora de escolher seu candidato. 

Conclusão

Como vimos, votar conscientemente dá um pouco de trabalho, porém os resultados são positivos. O voto, numa democracia, é uma conquista do povo e deve ser usado com critério e responsabilidade. Votar em qualquer um pode ter conseqüências negativas sérias no futuro, sendo que depois é tarde para o arrependimento. Por isso nessas eleições, faça valer o seu direito de cidadania, faça valer o seu voto, 

VOTE CONSCIENTE! ESCOLHA O SEU CANDIDATO PELAS PROPOSTAS E NÃO POR ELE TER FEITO UM FAVOR PARA VOCÊ

segunda-feira, 26 de março de 2012

Atividade Delegada não é a solução para a Segurança Pública




 
 
Geraldo Alckmin, governador do Estado de São Paulo, depois de aplicar a Atividade Delegada na cidade de São Paulo, decidiu levá-la para todo o interior. Além de reprimir o povo, os policiais podem ser emprestados para outros serviços públicos.
 
*Vereador Roque Ferreira

Na Audiência Pública realizada em 28/02/2012 na Câmara Municipal da cidade de Bauru, no interior do Estado de São Paulo, foi discutido o Projeto de Lei do prefeito Rodrigo Agostinho para a implantação da Atividade Delegada em Bauru, que permite ao Policial Militar trabalhar em seu horário de folga, férias e licença prêmio, prestando serviços ao município.

Durante as exposições, alguns dados apresentados são esclarecedores e vão jogando luz sobre um problema que vem sendo tratado de forma extremamente superficial e casuística pelo governo do Estado de São Paulo.
Segundo o Comando da Policia em Bauru, o quantitativo de policiais para as 19 cidades que estão sob a responsabilidade do 4° BPMI é de 926 policias, sendo que existem hoje na ativa aproximadamente 820, havendo um déficit de 106 policiais. Em Bauru existem fixados 540 policiais, número insuficiente para as demandas e necessidades da cidade.

Para suprir este déficit, o Governador Geraldo Alkimin transformou a Atividade Delegada em vitrine da segurança pública no Estado e para colocar este bonde na rua contou com o apoio entusiasta do prefeito Kassab de São Paulo que inicialmente usou esta mão de obra para combater “os camelôs”. Mas não parou por aí. A Atividade Delegada foi expandida aos Bombeiros Policiais Militares que estão trabalhando como motoristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

Neste caso Atividade Delegada começa a gerar desemprego, pois aproximadamente 409 motoristas do SAMU perderam seus empregos. Mesmo assim, a prefeitura de São Paulo já destinou mais de 8,6 milhões de reais para o programa, que possui seus resultados questionados por vários setores da sociedade, e mais, estendeu a Atividade Delegada para a polícia civil.

Também na Audiência Pública não ficou claro que tipo de atividades estes policiais poderiam realizar. Os exemplos citados pelo prefeito Rodrigo Agostinho também não contribuíram para clarificar o debate. Citou de maneira genérica que poderiam realizar atividades de fiscalização de trabalho dos ambulantes, de desrespeito a lei do silêncio, de alvarás de funcionamento de bares, de notificação e execução de corte de água, de notificação de ocupação irregular do solo urbano.

Estas atividades são próprias dos servidores públicos concursados e de carreira, e que se encontrarem algum tipo de dificuldade no exercício de suas atribuições podem solicitar sim, apoio policial. Se forem substituídos por PMs em bico oficial, serão exonerados de seus cargos?

A implantação da Atividade Delegada é o reconhecimento por parte do Estado da falência do modelo de segurança pública, e também da precarização das condições de trabalho e de salários dos profissionais da segurança pública, pela inexistência de política salarial por parte da Administração Pública, que obrigam esses profissionais a recorrerem aos bicos como forma de complementação de renda.

Pelo apresentado na Audiência Pública, estes policiais seriam expostos a uma superexploração, pois terão acrescidos mais 10 dias de trabalho com turnos de 8 horas, além da jornada de trabalho normal. Institucionalizar o bico é reconhecer que os salários pagos são insuficientes para suprir as necessidades básicas de seus servidores.

No Estado de São Paulo, o mais rico da Federação, o salário base inicial de um Soldado Policial Militar 2º Classe é de R$ 474,00, e do Soldado Policial Militar 1º Classe é de R$ 545,00. Estes salários são maquiados por gratificações, da mesma forma que ocorre em outros setores do funcionalismo, sendo que a maioria destas gratificações é suprimida quando da aposentadoria. Há mais de 10 anos, os profissionais da Segurança Pública do Estado de São Paulo não recebem reajuste de salários.

Apesar da insistência do Governo do Estado em procurar demonstrar que a Atividade Delegada é um “Ato de Serviço” dos policiais militares, portanto estando os mesmos e seus familiares protegidos contra qualquer incidente ou acidente, isso não ficou claro. Afirma que o policial terá um seguro, caso venha a sofrer qualquer acidente durante o exercício da Atividade Delegada, só que seguro não é benefício de aposentadoria e tão pouco pensão, além do que a seguradora é uma empresa privada, e todos sabemos que elas fazem de tudo para não pagar as apólices.

A Atividade Delegada não é a resposta que a sociedade precisa do governo do Estado para que se sinta menos insegura.

Por estas razões, nosso mandato votará contra este PL de autoria do prefeito Rodrigo Agostinho do PMDB, e continuará a cobrar inclusive do PT que integra o governo, a elaboração do Plano Municipal de Segurança Integrada do Município a ser discutido com a população, que entre outras ações contemple:

a Programa de recuperação de espaços públicos, aumentando a segurança, a qualidade de vida e a autoestima da população, com recuperação de áreas degradadas;

b Programa de revitalização de bairros, que além da recuperação urbana, contemple ações integradas de habitação, saneamento, infraestrutura, trabalho social, cursos profissionalizantes e geração de trabalho e renda, acesso a cultura, lazer e entretenimento, com a implantação dos Centros de Convivência Social Integrados;

cPrograma de iluminação pública feita com lâmpadas de vapor de sódio, que iluminam mais e consomem menos que as lâmpadas tradicionais, eliminando os pontos escuros que trazem insegurança aos munícipes;

cPrograma de atenção prioritária à criança e ao adolescente garantindo meios para o pleno funcionamento dos Conselhos Tutelar e Municipal da Criança e do Adolescente;
dPrograma para reestruturação da Defesa Civil garantindo os meios materiais e humanos para que possa desenvolver suas atividades.

Com medidas desta envergadura, seria possível garantir o mínimo de segurança individual e coletiva à população, sem a necessidade de ações como a Atividade Delegada, impulsionada pelos governos estaduais, que se ancoram na constante difusão, principalmente pelos programas da televisão da teoria do pânico e dos caos generalizado, que serve a muitos interesses, principalmente das grandes empresas privadas de segurança.

terça-feira, 20 de março de 2012

O tsunami comercial é mais ameaçador que o monetário



Na medida em que toda a União Europeia corta gastos públicos, salários, direitos previdenciários e outras formas de sustentar o consumo interno com o fim nem sempre explícito de gerar excedentes exportáveis a qualquer preço, são os mercados emergentes, e notadamente o nosso, que terão de suportar o ataque comercial. O Governo começa a se dar conta disso, mas grande parte do empresariado ainda está focado na ameaça chinesa. O artigo é de J. Carlos de Assis.

A crise financeira europeia é um risco europeu, mas a política econômica adotada na Europa sob tacão alemão para supostamente enfrentá-la é um risco nosso: na medida em que toda a União Europeia corta gastos públicos, salários, direitos previdenciários e outras formas de sustentar o consumo interno com o fim nem sempre explícito de gerar excedentes exportáveis a qualquer preço, são os mercados emergentes, e notadamente o nosso, que terão de suportar o ataque comercial.

O Governo começa a se dar conta disso, mas grande parte do empresariado, sobretudo o pessoal da Fiesp, ainda está focado quase exclusivamente na ameaça chinesa. Contudo, para nós, se a China tem sido um problema pelo lado das importações de manufaturados, ela tem feito parte da solução pelo lado das exportações de matérias primas (sobretudo minério de ferro e soja). Claro que o yuan valorizado incomoda. Mas por que insistimos em não administrar melhor o câmbio?

Já o potencial dumping comercial europeu é muito mais ameaçador porque, ao contrário da China, a União Europeia esta fazendo uma política econômica que restringe importações ao mesmo tempo em que estimula exportações. E não só ela. Os Estados Unidos de Barak Obama pretendem dobrar as exportações em cinco anos, a partir de 2010, e o Ministro da Fazenda japonês, numa carta-circular, orientou os presidentes das corporações japonesas a reorientar as exportações para os países emergentes, já que os países industrializados avançados estão estagnados.

Pela primeira vez na história, teremos uma situação em que virtualmente todos os países industrializados avançados têm como política prioritária aumentar exportações e limitar importações, neste caso como conseqüência da queda do consumo resultante dos cortes de gastos públicos. A avalanche exportadora dos ricos recairá sobre nós, os pobres e os emergentes, na forma de destruição dos parques produtivos que já temos ou dos sonhos de tê-los algum dia, no caso dos menos desenvolvidos, liquidando os melhores empregos no nosso mercado de trabalho.

Mais uma vez, é preciso desculpar a China: suas exportações têm caído significativamente enquanto as importações aumentam. Desse ponto de vista, está ocorrendo no país um saudável rebalanceamento de suas contas externas a partir do revigoramento do consumo interno. Existe aí uma clara política de estilo keynesiano, algo que passou a ser anátema na Europa.

Lembre-se que, em termos relativos, a China fez o maior programa de estímulo do planeta no sentido de reverter a crise de 2008. Essa política ancorada em planejamento e financiamento de bancos estatais assegurou elevadas taxas de crescimento, só caindo para ainda elevados 7,5% neste ano.

Não vejo como enfrentar o tsunami comercial proveniente da
Europa e de outros países desenvolvidos a não ser por um rápido movimento na direção do aprofundamento da integração sul americana. Note-se que, individualmente, não seria possível ao Brasil, mesmo com uma política cambial decente, proteger seu parque produtivo com barreiras comerciais. Seríamos considerados párias no mundo e sujeitos a duras retaliações em nossas exportações. Contudo, enquanto bloco econômico, poderemos construir uma barreira tarifaria protetora, pelo menos por algum tempo –tempo para os países desenvolvidos alterarem sua política.

Assim, a integração sul americana, que em outros tempos foi um ideal político romântico, tornou-se agora um imperativo de sobrevivência. E não estou falando apenas em comércio através do Mercosul, ou de política e defesa, através da Unasul. Estou falando de integração econômica através do entrelaçamento de cadeias produtivas mediante a articulação de redes de empreendimentos comuns, que envolvam efetivamente os empresários privados e estatais da região. Isso interessa a nós, que temos um parque industrial relativamente avançado, mas também aos menores países da América do Sul, que legitimamente possam aspirar a algum tipo de especialização industrial, como na Europa do Norte.

Com esse objetivo, já tramita no Congresso Nacional e no Parlasul um projeto de estímulo aos investimentos de integração produtiva na América do Sul. A intenção é que projetos similares sejam aprovados em todos os parlamentos regionais, o que poderia ser feito em tempo relativamente curto – ou mais curto que a discussão de um tratado -, abrindo caminho para a formalização de um bloco econômico. Se for feito rápido, isso dará tempo a que a Sra. Merkel, o Sr. Cameron, o Sr. Sarcozy (ou seu sucessor) tomem juízo e desistam de incendiar a Europa e o mundo, como fez a Alemanha 70 anos atrás por outros meios.

segunda-feira, 12 de março de 2012

A primavera em Valência (Evandro José Colzani)

 
 
Uma onda de revoltas se espalhou por toda Espanha após a atuação violenta da polícia contra estudantes do instituto Lluis Vives que protestavam contra os cortes na educação e a repressão policial.
 
Na semana passada, enquanto tentavam se reunir em um protesto pacífico fora do prédio escolar, estudantes do instituto Lluis Vives, colégio secundarista de Valência, cidade situada ao leste da Espanha, foram repreendidos pela polícia que feriu e prendeu alguns jovens.

A manifestação ocorreu devido aos cortes de gastos na educação, os quais inviabilizaram o funcionamento adequado das escolas. Algumas entidades ficaram sem aquecimento, outras sem materiais básicos e, em alguns casos, até sem eletricidade.
Atualmente a comunidade valenciana é uma das mais endividadas do país e vem atendendo às exigências do governo central espanhol para a redução do déficit orçamentário.

Valência, além de ser afetada pela crise, sofre os reflexos da política do PP (principal partido de direita) que tem obras faraônicas inacabadas ou inutilizadas, aumentando ainda mais a dívida pública. Uma política de benefício, sem limites, dos empresários locais e especuladores imobiliários.

As manifestações se intensificam

No dia 20/02, mais uma vez, os estudantes saíram às ruas para reivindicar seus direitos e dizer não ao plano de austeridade. Neste dia, uma nova bandeira surgiu, além das reivindicações iniciais, os estudantes também pediam o fim da brutalidade policial e exigiam a libertação de oito alunos mantidos sob custódia desde a última semana.

Assim que os manifestantes começaram a se reunir, no início da tarde de segunda-feira, a polícia agiu com violência novamente, usando cassetetes, prendendo manifestantes e pessoas que passavam. “Vocês são tão valentes, estão batendo nas crianças”, gritavam os transeuntes.

A repressão policial só aumentou a indignação dos estudantes que, em algumas regiões, defenderam a necessidade de uma greve geral da educação, em nível nacional. A ideia era unificar com sindicatos e organizações estudantis dando uma resposta imediata à brutalidade policial.

Manifestações de apoio se espalharam por toda Espanha nos dias que se seguiram. Em Madri, por exemplo, cerca de 3 mil estudantes usando palavras de ordem e cartazes, se reuniram no centro da cidade para defender as mesmas bandeiras de luta levantadas em Valência.

A criatividade também teve seu espaço nas manifestações, o que é muito comum quando se trata estudantes, um ativista madrilenho usava um capacete de ciclista com a seguinte frase: “Na cabeça não, pois estou estudando”, para ironizar a repressão.

A crise econômica e o plano de austeridade

O governo central espanhol aprovou uma reforma da lei trabalhista que dá aos patrões o direito de contratar e demitir à vontade, reduzir os pagamentos compensatórios, prolongar o período de experiência, eliminar a necessidade de autorização do governo e dos sindicatos para as demissões temporárias, dentre outras (Veja mais no texto Espanha: Dois milhões de pessoas marcham contra as contrarreformas trabalhistas, de Jorge Martin em http://www.marxismo.org.br/index.php?pg=artigos_detalhar&artigo=928)

Já na região de Valência foi anunciado no início de janeiro um plano de austeridade que inclui aumentos de impostos, cortes dos salários dos trabalhadores do setor público, nos gastos de saúde e educação, somando mais de um bilhão de euros em cortes.

Todos esses ataques servem a um único propósito, fazer com que os trabalhadores e estudantes paguem com o seu sangue e suor a crise capitalista. O povo espanhol está cansado de só assistir a tudo isso.

As ocupações de praças do ano passado, a manifestação contra cortes na educação em 21/01, com 120.000 alunos, professores e pais marchando em Valência e Alacant e o ato massivo com mais de 2 milhões de trabalhadores no dia 19/02 contra as “reformas trabalhistas” são exemplos práticos do atual estado de ânimo da classe operária e dos estudantes.

Para o marxista Alan Woods, “O presente período é o período mais tempestuoso e convulsivo da história. A chamada “Globalização” agora se manifesta como uma crise global do capitalismo”. Woods completa, “O cenário está propício para um renascimento geral da luta de classes, e de fato, esse processo já começou.”

Movimentos de massas surgiram no mundo inteiro no último período, desde a Revolução Árabe, passando pelo Chile, Estados Unidos até a atual situação revolucionária na Grécia e explosões populares por toda a Europa. Os últimos acontecimentos ocorridos na Espanha são apenas uma indicação do que a classe trabalhadora e a juventude podem e estão dispostas a fazer.