terça-feira, 10 de janeiro de 2012

MEC: Sisu registra mais de 1,2 milhão de inscrições em apenas 18 horas

O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) registrou até este domingo (8) 1.835.160 inscrições de estudantes interessados em disputar uma das 108 mil vagas em instituições públicas de ensino superior oferecidas para o primeiro semestre de 2012.


A ferramenta, criada pelo Ministério da Educação (MEC) para unificar o processo seletivo de universidades públicas por meio das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), entrou no ar à meia-noite de sexta-feira (6) e recebe inscrições até 12 de janeiro. Ao todo, 949.268 candidatos se cadastraram até o momento – cada estudante pode fazer até duas inscrições em cursos diferentes.
Ao acessar o sistema, o estudante deve escolher duas opções de curso, indicando a sua prioridade. É necessário informar o número de inscrição e a senha de cadastro do Enem 2011. Diariamente, o sistema divulga a nota de corte preliminar de cada curso com base na nota do Enem dos candidatos que pleiteiam as vagas. Durante esse período, o participante pode alterar essas opções se achar que tem mais chances de ser aprovado em outro curso ou instituição.
O Rio de Janeiro está liderando as inscrições, 196.169. Em segundo lugar, Minas Gerais, com 145.168 inscrições. Em seguida estão os estados de São Paulo, com 119.373, Ceará, com 108.960 e o Rio Grande do Sul, com 81.449 inscrições. O resultado da primeira chamada será divulgado no dia 15 de janeiro. Os estudantes aprovados deverão comparecer às instituições de ensino de 19 a 20 para fazer a matrícula. O participante que foi selecionado para a primeira opção de curso é retirado automaticamente do sistema e perde a vaga se não fizer a matrícula. Aqueles que forem selecionados para a segunda opção ou não atingirem a nota mínima em nenhum dos cursos escolhidos podem participar das chamadas subsequentes.
A segunda chamada está prevista para 26 de janeiro, com matrículas nos dias 30 e 31. Caso ainda haja vagas disponíveis, o sistema gera uma lista de espera que será disponibilizada para as instituições de ensino preencherem as vagas remanescentes. O candidato interessado em participar dessa lista deverá pedir a inclusão entre os dias 26 de janeiro e 1° de fevereiro.
Inscrições
As inscrições para 108.552 vagas em 3.327 cursos de 95 instituições públicas de ensino superior, que aderiram ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do Ministério da Educação, podem ser feitas até o dia 12 de janeiro às 23h59. Podem concorrer estudantes que tenham feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2011 e obtido nota diferente de zero na redação.
Cada estudante pode fazer sua inscrição em até dois cursos. Quem for aprovado na primeira opção é automaticamente retirado do sistema. O Sisu oferece a chance para estudantes que prestaram o Enem 2011 de candidatarem-se a 108.552 mil vagas de 95 instituições públicas de ensino superior, em todo o país.
Para inscrever-se o candidato deve acessar o sistema do Sisu no portal do programa. O candidato deverá informar o número da inscrição e a senha usados no Enem de 2011. Caso não se recorde de sua senha, poderá recuperá-la na página do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).
No endereço eletrônico, o candidato pode informar-se sobre o funcionamento do sistema, os passos para fazer a inscrição, calendário do processo – chamadas, matrículas e lista de espera – e acessar guia para tirar dúvidas.
A lista dos selecionados na primeira chamada será divulgada no dia 15 de janeiro, com prazo para matrícula entre 19 e 20 de janeiro. O cronograma completo pode ser conferido no portal do Sisu.

Participação popular: Conferências mobilizaram mais de 2 milhões de pessoas em 2011

Espaços de participação social abordaram oito temas em etapas nacionais.


As etapas nacionais de oito conferências foram realizadas em Brasília entre novembro e dezembro de 2011. Mais de 2 milhões de pessoas participaram das etapas municipais, estaduais e nacionais. Na capital federal, nas etapas finais, 16,3 mil pessoas participaram dos debates, entre delegados, observadores e convidados.
A 14ª Conferência Nacional de Saúde, a 5ª de Arranjos Produtivos Locais e a 2ª LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) são algumas conferências nacionais realizadas. Juntas, as Conferências de Saúde e de Assistência Social chegaram a mais de 90% dos 5.565 municípios brasileiros e foram responsáveis pela mobilização de mais 1 milhão de pessoas.
As conferências nacionais acontecem para tratar de temas de interesse da sociedade civil e do governo brasileiro. A participação social como método de governar é uma ferramenta que se aperfeiçoa ao ser colocada em prática nas conferências nacionais, assim como nas etapas preparatórias.
Mobilização
De 1941 a 2011 foram realizadas 123 conferências nacionais. Desse total, 82 ocorreram entre 2003 e 2011, abrangendo 40 áreas setoriais e sendo precedidas de conferências preparatórias nos níveis municipal, regional e estadual. Estes eventos mobilizaram cerca de 7 milhões de pessoas com o objetivo de debater propostas para as políticas públicas.
Em 2011, o Governo Federal, através da Secretaria-Geral da Presidência da República (SG) acompanhou e participou de 25 etapas estaduais de diversas conferências em 15 estados e de todas as etapas nacionais, com delegados, observadores e palestrantes. A SG organizou espaços de discussões entre representantes de governo e da sociedade civil das Comissões Organizadores Nacionais das Conferências para que haja aperfeiçoamento dos processos conferenciais.
A cooperação entre gestores públicos e segmentos da sociedade civil, inclusive trabalhadores, empresários e especialistas em cada área, concretiza os objetivos destes grandes encontros em que se discutem políticas públicas para o País. As ações integram uma metodologia governamental que pretende que o diálogo com a sociedade seja contínuo, planejado e faça parte do próprio governo.
Para participar
A porta de entrada para a participação dos cidadãos nas conferências geralmente ocorre no município onde são debatidas propostas de políticas públicas no plano local e sugeridas outras para a esfera estadual e federal. Na fase municipal também são eleitos os representantes que participarão das etapas seguintes. Os convites à participação nas conferências são feitos por diversos organismos do poder público, bem como por organizações da sociedade civil. Os resultados das conferências podem ser encontrados em publicações dos órgãos públicos e nos seus respectivos sites. Os conselhos municipais, estaduais e nacionais também são fontes de informação.

O que move o partido-imprensa, por Gilson Caroni Filho

O partido-imprensa abomina os movimentos sociais os sindicatos (que não devem ter senão uma representatividade corporativa), a nação, antevista como ante-câmara do nacionalismo, e o povo sempre embriagado de populismo.


A leitura diária dos jornais pode ser um interessante exercício de sociologia política se tomarmos os conteúdos dos editoriais e das principais colunas pelo que de fato são: a tradução ideológica dos interesses do capital financeiro, a partitura das prioridades do mercado. O que lemos é a propagação, através dos principais órgãos de imprensa, das políticas neoliberais recomendadas pelas grandes organizações econômicas internacionais que usam e abusam do crédito, das estatísticas e da autoridade que ainda lhes resta: o Banco Mundial (BIrd), o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização Mundial do Comércio (OMC).  É  a eles, além das simplificações elaboradas pelas agências de classificação de risco, que prestam vassalagem as editorias de política e economia da grande mídia corporativa.
Claramente partidarizado, o jornalismo brasileiro pratica a legitimação adulatória de uma nova ditadura, onde a política não deve ser nada além do palco de um pseudo-debate entre partidos que exageram a dimensão das pequenas diferenças que os distinguem para melhor dissimular a enormidade das proibições e submissões que os une. É neste contexto, que visa à produção do desencanto político-eleitoral, que deve ser visto o exercício da desqualificação dos atores políticos e do Estado. Até 2002, era fina a sintonia entre essa prática editorial e o consórcio encastelado nas estruturas de poder. O discurso “modernizante”  pretendia - e ainda pretende - substituir o “arcaísmo” do fazer político pela “eficiência” do economicamente correto. Mas qual o perigo do Estado para o partido-imprensa? Em que ele ameaça suas formulações programáticas e seus interesses econômicos?
O Estado não é uma realidade externa ao homem, alheia à sua vida, apartada do seu destino. E não o pode ser porque ele é uma criação humana, um produto da sociedade em que os homens se congregam. Mesmo quando ele agencia os interesses de uma só classe, como nas sociedades capitalistas, ainda aí o Estado não se aliena dos interesses das demais categorias sociais.
O reconhecimento dos direitos humanos, embora seja um reconhecimento formal pelo Estado burguês, prova que ele não pode ser uma instituição inteiramente ligada aos membros da classe dominante. O grau maior ou menor da sensibilidade social do Estado depende da consciência humana de quem o encarna. É vista nesta perspectiva que se trava a luta pela hegemonia. De um lado os que querem um Estado ampliado no curso de uma democracia progressiva. De outro os que só o concebem na sua dimensão meramente repressiva; braço armado da segurança e da propriedade.
O partido-imprensa abomina os movimentos sociais os sindicatos (que não devem ter senão uma representatividade corporativa), a nação, antevista como ante-câmara do nacionalismo, e o povo sempre embriagado de populismo. Repele tudo que represente um obstáculo à livre-iniciativa, à desregulamentação e às privatizações. Aprendeu que a expansão capitalista só é possível baseada em “ganhos de eficiência”, com desemprego em grande escala e com redução dos custos indiretos de segurança social, através de reduções fiscais.
Quando lemos os vitupérios dos seus principais articulistas contra políticas públicas como Bolsa Família, ProUni e Plano de Erradicação da Pobreza, dentre outros, temos que levar em conta que trabalham como quadros orgânicos de uma política fundamentalista que, de 1994 a 2002, implementou radical mecanismo de decadência auto-sustentada, caracterizada por crescentes dívidas, desemprego e anemia da atividade econômica.
Como arautos de uma ordem excludente e ventríloquos da injustiça, em nome de um suposto discurso da competência , endossaram a alienação de quase todo patrimônio público, propagando a mais desmoralizante e sistemática ofensiva contra a cultura cívica do país. Não fizeram- e fazem- apenas o serviço sujo para os que assinam os cheques,  reestruturam e demitem. São intelectuais orgânicos do totalitarismo financeiro, têm com ele uma relação simbiótica. E é assim que devem ser compreendidos: como agentes de uma lógica transversa.
Merval Pereira, Miriam Leitão, Sardenberg, Eliane Catanhede, Dora Kramer e outros mais necessitam ser analisados sob essa perspectiva. É ela que molda a ética e o profissionalismo de todos eles. Sem mais nem menos.
Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil